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Cultura, arte e perda de substância civilizacional Cultura, arte e perda de substância civilizacional

Cultura, arte e perda de substância civilizacional

18 de Janeiro de 2026

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A produção cultural brasileira atravessa um processo de esvaziamento estético e simbólico. Em vez de refletir a complexidade da experiência humana, expressões artísticas financiadas em larga escala por recursos públicos têm sido instrumentalizadas como veículos de militância ideológica e propaganda partidária. O resultado é a substituição da arte por slogans e da criatividade por doutrinação.

O uso da Lei Rouanet como mecanismo de premiação política criou uma indústria de obras irrelevantes, desconectadas do público e divorciadas da realidade estética e narrativa que sustenta as grandes civilizações. A cultura, que deveria elevar, emocionar e provocar reflexão, passou a repetir fórmulas vazias de engajamento ideológico.

Pesquisa recente da FGV, claramente manipulada, aponta para alto retorno financeiro de projetos financiados pela Lei Rouanet. A metodologia questionável revela mais sobre o esforço de reconstrução da hegemonia cultural do que sobre as reais preferências da sociedade. O que se pretende é fabricar consenso em torno de uma estrutura de subsídio que beneficia poucos e afasta muitos.

Resgatar a cultura exige coragem institucional. É preciso cortar o financiamento seletivo, estimular a competição real por audiência e restaurar o papel da arte como expressão autêntica da liberdade humana. Sem isso, não apenas a cultura morre, mas morre junto a alma de um povo.

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